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sábado, 26 de dezembro de 2009

Maria, rainha da paz

"Eis aqui a serva do Senhor, cumpra-se em mim segundo a Tua palavra". Assim, Ela respondeu ao enviado: "Sou a serva do Senhor".

Cresceu humilde, pura, preservada. A jovem extremamente formosa, cabelos negros, faces rosadas, lisas, adelgando-se no queixo onde havia uma covinha. Esses traços conservam-se durante toda sua vida, como testemunhou São Lucas, que a conheceu com cerca de 48 anos. O porte, a nobreza de uma mulher infinitamente suave. Às vezes, parecia ter muita idade, quando as sombras do mundo perpassava-lhe o olhar; instantes depois, era miraculosamente jovem.

Movimentava-se com graça e flexibilidade, como o arquear do salgueiro. Alta, tinha um ar de majestade. Parecia pairar acima do tempo, Ela, a virgem predestinada. Seus olhos eram azuis. Olhar dentro deles era mergulhar em serenidade, em paz. Jovem, luminosa, de presença indizível, voz melodiosa, provocando ressonâncias indeléveis em todos os que a ouviam. Estar ao seu lado era abeirar-se de fonte límpida e sentir o frescor de sua pureza.

No tempo do rei Herodes, vieram a Belém de Judá, 3 magos do Oriente, à procura do rei dos judeus, pois viram a estrela luminosa, e grande foi o júbilo que sentiram. A estrela foi adiante deles, parando na casa onde estavam a mãe e o menino. Prostaram-se e o adoraram, e abrindo seus cofres, fizeram suas ofertas de ouro, incenso e mirra:
  • ouro, reconhecendo a realeza;
  • incenso, a divindade;
  • mirra, a humanidade

Mãe amorosa, ternamente viveu os anos da espera de seu filho. Acompanhou-o depois em toda a sua missão, condenação e calvário. Sofreu antecipadamente, pois tinha o conhecimento das dores que ele iria padecer.

Ao pé da cruz, assistiu a seu martírio e agonia. Seu coração materno foi trespassado pela dor. Foi dada por ele como mãe de toda a humanidade.

Origem: do livro 'Elas, mulheres que marcaram a humanidade' de Lúcia Pimentel Góes

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Maria Madalena

– a que muito amou –

Junto ao lago Tiberíades, pequena multidão reunia-se às suas margens. Figura alta e nobre é a única que fala. Da janela do palácio que se ergue próximo às margens, a jovem de Betânia, vila na encosta do monte da Oliveiras, contempla a silhueta recortada contra o céu sereno, observa seus gestos como de quem abençoa. Sacode a farta cabeleira, que lhe tomba ondulante pelos ombros, realçando seu talhe delicado e esguio. Das palmeiras tem o verde nos olhos rasgados, flexível e altaneiro, o porte. Ela já ouvira rumores sobre o Nazareno. O que pregava o amor e o reino do céu.

Amor... para ele vivia. Mais um pregador. Veio-lhe à mente o outro, o João, preso na fortaleza de Maquerunte, nos arredores do palácio de Herodes. Deste temia o brado selvagem, as vituperações, a aspereza, a rusticidade de filho do deserto.

– Além de mim, só Salomé poderia conquistar essa fera, vestida de couro.

Admira-se frente aos espelhos. Adorna-se com joias, quer deslumbrar no banquete de aniversário de Herodes, que se realizaria mais à noite.

A mansidão das águas espelhadas do lago de Tiberíades desaparece de seus olhos de tigresa. Ressurgem nela os atributos da cortesã sedutora. O brilho do olhar é ardente. Em movimentos coleantes, realçados pelas pregas da túnica grega, faz sua entrada magistral no palácio do soberbo tetrarca da Galiléia.

Não era uma qualquer. Sua família era das nobres da Saducéia, com imensas casas às margens do lago Tiberíades, junto ao palácio do rei Herodes e outra mansão à entrada de Jerusalém. Pertence às gentes de estirpe superior, frequenta os grandes de seu tempo. Está na plenitude de seus vinte e cinco anos, vivendo faustosamente, desfrutando o amor livre, recebendo a corte de inúmeros cortejadores. Soberba, sensual, dominadora, arrogante.

Precoce, senhora de si mesma, vivera entre os cultores do conhecimento de seu tempo, sábios, poetas, escritores. Diziam-na possuída por demônios. Ela preferia a vida palpitante, o doce e embriagador vinho dos amores ilícitos. Foi uma noite memorável. Salomé dançou como jamais o fizera. Insinuante, tentadora, arrebatou a vontade de Herodes, que ordenou-lhe pedisse qualquer coisa e ele a atenderia. Pediu a cabeça de João Batista, que lhe foi trazida gotejando sangue em bandeja de prata. Afirmam os escribas ter sido este pedido insuflado por Herodiades, a adúltera, constantemente apontada pelo pregador. A linda cortesã ficou estarrecida: desde esse momento, é perseguida por angústia crescente, terrível e abandona para sempre a corte do tetrarca.

Perseguem-na as palavras e a figura de João Batista: "O machado já está na raiz, toda a árvore que não der bom fruto será cortada e atirada ao fogo". Medita sobre a vida, sobre a sua fugacidade. Tudo passa, prazeres, mocidade, beleza.

O sereno galileu continuava sua pregações, percorrendo a Galiléia e a Judéia. Esta era-lhe hostil: suas depressões junto ao mar Morto, o solo desértico, areia e pedras produziam almas duras. Jesus devia sentir-se confortado com as suaves encostas revestidas de árvores frutíferas, limoeiros, tamareiras, além da serenidade do lago.

Prega aos desvalidos, aos fracos, aos pecadores, aos pobres. Elegeu os pescadores simples, Simão, de Cefas, a quem impôs o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu e, João, seu irmão, e lhes deu o nome de Boanerges, que quer dizer "filhos do trovão"; e a André, Felipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão Cananeu e Judas Iscariotes, que foi quem o entregou. Eram esses os seus escolhidos. A estes dissera:

"Vinde após mim que Eu vos farei pescadores de homens." (Mateus: 4,19)

Entretanto ela se inquieta. "Que mal me aflige?" se pergunta. Parece sempre atenta à silhueta do galileu. Estremece ao pensar nele, invadida por estranha doçura. Sente-se serenar. É interrompida em seus devaneios, por Joana, também da corte de Herodes, mulher de Kouza, o impaciente. Ela falou-lhe de Jesus. Como socorria e curava os enfermos, pregava o amor, a mansidão, expulsava os demônios. Parece que Joana falou da amiga ao Messias, Ele a curou à distância. Os demônios deixaram a bela sedutora. Luxúria, orgulho, ódio, gula, preguiça, mentira, tristeza desapareceram de repente. Ela renunciou ao luxo vestiu-se como as mulheres do povo, um manto ocultava a espessa cabeleira, e sempre que podia ia ouvi-lo, à beira do lago, sequiosa de seu perdão, buscando a esperança.

Então reconheceu-se faltosa, com um passado de pecado. Seu coração encheu-se de arrependimento e chorou pelas ofensas cometidas. Certo dia, do alto do monte, ouviu-o pregar.

Terminando de pregar às margens do lago, Jesus entrou na casa de um certo Simão, o fariseu. Estando ele cercado por muitos que desejavam ouvi-lo, surge na porta a conhecida cortesã. Como estava formosa! Os ondulados cabelos pelas costas, no rosto, expressão de esperança. Parou, atemorizada, diante de tantos desconhecidos, muitos deles, pobres de feições duras. Refez-se, seguiu até o Mestre, atirou-se-lhe aos pés suplicando por perdão. Não se atreveu a erguer a cabeça. Os homens, conhecedores de sua vida pregressa de escândalos e que se julgam superiores, por seus costumes puros, entreolharam-se estupefatos:

– Como se deixa o Mestre tocar por essa mulher?

Conheciam eles, apenas, a observância ou não das regras. A dúvida invade esses corações endurecidos: "Se ele fosse realmente o profeta, saberia que é uma pecadora a que o toca". A jovem, comovida, só sabe reconhecer o imenso amor que brotava no seu coração por Ele. Reconhecia que o adorava, mas não como uma mulher ama um homem. Ela pressentia o mistério que o cercava, percebia o medo se apoderando dos corações. Pressentiam, eles, que algo muito grande estava prestes a acontecer.

A história consagrou o seu amor por Jesus como um amor sublime e sublimado. Quando no calvário, ajoelhada ao pé da cruz, Ele chamou-a por seu nome, ela respondeu: Raboni! (Mestre!)
Estava ela ali aos pés dele. Jesus olhava para ela. Contava a parábola do credor que tinha dois devedores... O Mestre silencia.
"Vês está mulher? Entrei na tua casa e não me deste água para lavar os pés; ela, porém, lavou-mos com suas lágrimas, enxugou-os com seus cabelos. Não me deste um beijo, e ela, desde que entrou, não cessou de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com bálsamo, ela ainda me ungiu os pés. Digo-te, pois, que muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou." Voltando-se para ela:

"Perdoados estão os teus pecados."

O assombro tomou conta de todos. Quem seria este que perdoa os pecados? murmuravam. Ao que o Mestre acrescentou:

"Tua fé te salvou; vai em paz." (Lucas: 7, 43-50)

Ela, desde então, abandonou seu palácio e adotou costumes severos. Os pontífices e fariseus, preocupados com os prodígios que Jesus fazia, decretaram sua morte e o procuravam para o prender. Dois dias antes da Páscoa, estando Ele em Betânia, ofereceram-lhe uma ceia, na qual servia Marta, estando, também Lázaro, presente. Surge, então, à porta, a arrependida com uma ânfora de perfume nas mãos. Derramou-o sobre sua cabeça, depois nos pés. Ajoelhou-se e ainda uma vez, enxugou com os cabelos os pés do mestre. Depois quebrou a ânfora preciosa. Toda a casa encheu-se com a fragrância do bálsamo.

Precipitaram-se os fatos, acontece a Paixão. A perdoada será encontrada, outra vez, aos pés de Jesus, no alto do Calvário. Na sexta-feira deu-se o sepultamento no Horto. No primeiro dia da semana, sendo ainda escuro, ela foi ao sepulcro e viu a tampa que tinha sido retirada. Correu avisar Simão e outro discípulo. Vendo-o vazio, voltaram para suas casas. Ela conservou-se em pé, da parte de fora chorando.

Jesus, então, pronuncia o seu nome. Ela, voltando-se, exclama:

– Raboni

E Jesus acrescentou:

– "Não Me toques porque ainda não subi a meu Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes que vou para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus."

Para que o Mestre dissesse – Não me toques! – Ela deve ter-se atirado para Ele ...

Até aqui estão registrados seus passos nos Evangelhos. Conta a tradição que os Judeus prenderam toda a família e os soltaram em barco sem velas nem leme, para que o eceano os tragasse. Deus teria guiado o barco para as costas da Provença, no sul da França. Ela preferiu a solidão do alto de uma montanha. Lá viveu cercada de anjos e em oração. A gruta recebeu o nome de Santo Bálsamo.

Fonte: do livro 'Elas, mulheres que marcaram a humanidade' de Lúcia Pimentel Góes

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Irmã Dulce

Peregrina da Caridade

Palavras de uma peregrina da caridade da Índia, Madre Teresa de Calcutá; para falar de outra peregrina, a brasileira Irmã Dulce. Ambas semelhantes, sobretudo no amor aos desvalidos.



"Nossos moribundos abandonados, nossos leprosos, nossas crianças sem assistência, paralíticas, têm necessidade de amor, de compaixão, de calor humano. O dinheiro não basta. Eles têm necessidade de que nossas mãos lhes prestem serviço, de que os nossos corações lhes ofereçam amor..."


Nascida a 26 de maio de 1914, em Salvador na Bahia. O pai professor catedrático da faculdade de Odontologia da Bahia. Aos 6 anos perdeu a mãe, falecida no parto de sua filha Regina, quando tinha apenas 26 anos. Os 4 irmãos e o pai se uniram, mais as 3 tias do lado paterno, para criarem as crianças.

Menina alegre e travessa, gostava de brincar de empinar pipa, de guerra e de futebol, onde ia com o pai aos estádios aos domingos.

Certa vez, uma das tias a levou em uma visita aos doentes e pobres da Baixa do Sapateiro e algo tocou-a profundamente. A dedicação aos pobres começou a ser o sinal distintivo dessa garota de 13 anos. Não era vaidosa, preferia rezar, meditar em recolhimento. Quando decidiu pela vocação religiosa, encontrou no pai o conselheiro prudente e receptivo. Formou-se professora e foi ser freira. Em 15 de agosto de 1933, recebeu o hábito de freira, prestando os votos de obediência, pureza e pobreza. Troca o nome de infância – «Maria Rita de Souza B. Lopes» Pontes pelo da mãe – Dulce, e entrega-se totalmente ao serviço de Deus.

  1. como enfermeira serviu no Sanatório Espanhol, atendia à portaria, telefone e trabalhava na limpeza do prédio
  2. fez curso de prática farmacêutica, para socorrer aos doentes, aprendendo a manipular os remédios
  3. foi professora no Colégio Santa Bernadete, lecionou Geografia
  4. dedicou-se aos moradores do mangue. Em suas visitas aos manguezais de Itapagipe, levava algum conforto, roupas e dinheiro
  5. fundou a união Operária de São Francisco, primeiro movimento cristão operário de Salvador, com posto médico, farmácia e cooperativa de consumo
  6. construiu 3 cinemas com apoio dos franciscanos. A renda resolveu o problema dos recursos para a continuidade do Círculo Operário
  7. em 1960 inaugura o Albergue Santo Antônio (depois de passar com seus doentes pela ilha dos Ratos e o galinheiro de um convento), com 150 leitos
  8. no albergue arranjava ocupação para os que desejassem
  9. pegava as crianças na rua a noite, mesmo aqueles que não aceitavam a ajuda, esperava elas dormirem e com firmeza os segurava
  10. construiu em Simões Filho, um orfanato modelo, com mais de 500 meninos. Estudavam, aprendiam profissão, tinha horta e fornecia verduras e hortaliças, tanto para os meninos como para os doentes do hospital
  11. construiu um Centro de Recuperação dos Menores Abandonados
  12. em 1969 com recursos vindos de fontes diversas, incluindo a do povo, foi construído o novo Hospital Sto Antônio
  13. o papa João Paulo II a visitou e lhe presenteou com um terço

No ano em que caiu doente de cama, gravemente enferma, o povo não arredou o pé da porta do convento. Levantou-se no dia de Sto Antônio, 13 de junho e o povo considerou seu restabelecimento um milagre do Santo.

Ela mal se alimentava e sofria muito com um enfisema pulmonar que a obrigava dormir sentada, suas 4 horas diárias de sono; mal respirava, pois sua capacidade respiratória era de 35%.

Em 14 de março de 1992, as manchetes dos jornais da Bahia seguiam mais ou menos esta:
Morreu a santa Irmã Dulce, 77 anos. Morreu no hospital Sto Antônio, após dias de grande sofrimento.

Origem: 'Elas, mulheres que marcaram a humanidade' de Lúcia Pimentel Góes

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Madre Teresa de Calcutá

Nasceu na Albânia, na península dos Balcãs (1910-1997). Uma região muitas vezes considerada um barril de pólvora na Europa, por conflitos armados, guerras sem fim, ocupações e expulsões, que trouxeram miséria, horrores e violência a esse povo. Nessa região, estabeleceram: gregos, albaneses, turcos, sérvios, búlgaros, macedônios e outras etnias, lutando pela libertação, pela independência mútua e travando batalhas entre si.


Os pais de Teresa, Kole e Drana Bojakxi, albaneses saíram de sua terra natal para se instalarem numa cidade macedônia – Skopje (hoje capital da Macedônia). Seus pais eram conhecidos por sua generosidade. O pai era um comerciante próspero proprietário de várias casas e sócio de um mercador italiano, por isso viajava por toda a Europa.

Teresa nasceu com o nome de Agnes, em 27 de agosto de 1910. Terceira filha do casal, seus irmãos: Aga e Lasar. Desde pequena a família conheceu a guerra. Seu pai faleceu e sua mãe trabalhava dia e noite como costureira pra sustentar os 3 filhos pequenos. Agnes com 12 anos, entrou para a Congregação da Sagrada Virgem Maria (mesmo sistema das Filhas de Maria, no Brasil). Apreciava a leitura e se fixava por horas nos livros sobre a vidas dos santos. Vivia num lar calmo, pacífico e acolhedor, em meio as intermináveis guerras e à pobreza de muitos dos seus compatriotas. Nas revistas católicas tomou conhecimento do trabalho de missionários pelo mundo. A partir dos 14 anos descobriu que queria ser freira e missionária, concluiu os estudos e com 18 anos decidiu viajar a abadia de Loreto (Paris), onde aprendeu a ser freira missionária. Foi também para Irlanda e lá aprendeu a língua inglesa. Depois foram para Suez, e em seguida foram para Calcutá.

Foi em maio de 1931 que Agnes se transformou na irmã Teresa, com votos de pobreza, castidade e obediência. Teresa foi escolhido por sua devoção à santinha de Lisieux, a carmelita Teresinha do Menino Jesus. Enviada de novo a Calcutá, dava aulas a crianças européias e anglo-indianas num convento escola.


Vida missionária:

  • em agosto de 1946 Calcutá, tornou-se palco de violentos distúrbios, a guerra de duas comunidades religiosas (hindu e o muçulmano), ela foi incumbida de cuidar das crianças e quando a fome surgiu saiu às ruas em busca de comida.

  • conseguiu em 1947 o decreto do papa o "ex claustratio". Assim depois de ter usado por 17 anos o hábito negro da Ordem de Loreto, despediu-se deles. Despediu-se do convento e saiu vestindo um largo sári branco com barra azul, a mesma roupa das mulheres pobres da Índia. Recebeu abrigo no corpo das Missionárias Médicas em Patna a 380 km de Calcutá.

  • em 1948 foi para o lar São José, lugar que acolhia pessoas desvalidas, sem teto, idosas, solitárias, onde se reunia a Congregação das Irmãzinhas dos Pobres.

  • em 1950 tornou-se madre superiora de uma Nova Ordem, chamada de Missionárias da Caridade, que usavam o sári branco e barra azul.

  • fundou em 1955 o Lar para Crianças do Imaculado Coração, que chamou de Nirmala Shishu Bhavan.

  • na época da Primeira Guerra Mundial, as Missionárias da Caridade abriram diversas clínicas e centros de reabilitação para os portadores de lepra (já descoberto o tratamento).

  • em 1960 foi aberto em Nova Délhi um abrigo para moribundos, e montaram casas na região central da Índia, em Jhansi e Agra e depois em Bengala, em Patna, Pundjab, Bihar, Maharashtra e em Kerala. Nesse mesmo ano Madre Teresa foi para os EUA, convidada pelo Conselho das Mulheres Católicas para participar da Convenção em Las Vegas.

  • fevereiro de 1966 foi conferido às Missionárias da Caridade o reconhecimento do papa, elas já somavam 300.

  • em 1971 recebeu das mãos do papa Paulo VI o primeiro prêmio João XXIII da Paz. Recebeu muitos Prêmios: Bom Samaritano, nos EUA (1971); Fundação Kennedy (1971); o título de Doutora em Humanidade da Universidade de Washington (1971); Pandit Nehru, Índia (1972); Santa Luisa de Marillac, EUA (1973); Templeton, Inglaterra (1973); Medalha de Ouro da cidade de Milão, Itália (1973); Mater et Magistra, EUA (1974); Albert Schweitzer (em memória do filantrópo francês que recebera o prêmio Nobel da Paz 23 anos atrás); Doutora honoris causa da Universidade inglesa de Cambridge (1979); Balzan, Itália (1979); Prêmio Nobre da Paz em 1979. Em 1980 recebeu a maior honraria civil de seu país adotivo, a Joia da Índia.

  • na expulsão dos palestinos pelos israelenses, conhecido por Setembro Negro, as missionárias se dirigiram para lá para ajudar os feridos.

  • recebeu em 1985 a medalha da Liberdade, das mãos do presidente dos EUA, Ronald Reagan.

Sua saúde piorava com problemas do coração, com um ataque cardíaco em 1989, se viu forçada a abandonar a liderança da ordem em 13 de maio de 1990. Faleceu em 5 de setembro de 1997. Com a prática da caridade, a congregação, agora também masculina, proliferou por todo o mundo. Quando faleceu já abrangia 124 países, mais de 560 casas e cerca de 4 200 religiosas e religiosos, que tem como princípio as palavras de Madre Teresa de Calcutá:


"Eu jamais cuido de multidões, mas somente de uma pessoa. Se eu levasse em conta as multidões, não começaria nunca. O próximo é quem precisa de mim agora..."

"O nosso objetivo não é procurar que se convertam ao cristianismo, mas que encontrem Deus em qualquer religião. É a fé em Deus que nos salva. O grupo religioso que serve de ponto de partida para chegar a Ele é de importância secundária".


Origem: do livro 'Mulheres que mudaram o mundo' de Gabriel Chalita

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

George Sand – a singular escritora

Era trineta de um rei da Polônia. Foi casada com um subtenente de infantaria. Durante a campanha de Napoleão, na Espanha, a menina matou a fome com sopa de tocos de vela. Era introvertida, e sua infância transcorreu tranquila em bairro pobre e alegre. Seu nome era Armandina Aurore Lucille Dupin.

Quando seu pai morreu, por acordo entre avó e mãe estabeleceu-se que passaria 6 meses no campo, em Nohant, 6 meses em Paris. Ficaria um semestre com sua mãe, que adorava, e outro no castelo imenso e gelado, entre mulheres idosas, outras elegantes, ainda algumas frívolas e preconceituosas.


  • Aos 7 ou 8 anos aprendeu o francês, depois o latim e o grego, dança, música, desenho e caligrafia.

Em 1812, Napoleão partia para a Campanha da Rússia, e a França iniciava seu declínio. A avó separou a neta dos seus parentes plebeus, inclusive de sua irmãzinha, que amava. Cresceu sem afeto, a avó doente, ela entregue a criadas, que por vezes a espancavam. Apesar disso, sonhava e decorava versos de Corneille ou Racine. Extravasava seus sentimentos cantando e improvisando versos brancos. Aos 12 anos tentou escrever e fez várias composições.

Criou um personagem, Corambé. Conhecendo um pastor de porcos, criatura feia, achou-o muito parecido com um gnomo, meio homem, meio monstro, tipo perfeito para o seu Camboré. Publicou as histórias que ouvira dos pastores, sacristãos, trituradores de cânhamo do vale do Noire.

A avó resolveu enviá-la para o convento da Inglesas, onde ficou 3 anos. Nessa reclusão, escreveu uma novela religiosa e um romance pastoril, que não foram publicados. Sua religiosidade tornou-se apaixonada. O misticismo não a impediu de ter certa independência. Dedicou-se ao teatro e adaptou uma peça de Moliére, "O doente imaginário", cortando as cenas de amor. O tempo passou. Seu irmão tornara-se um elegante militar, e ela saíra do convento. Lia muito, entre outros: Chateaubriand e Rousseau.

Corriam na aldeia muitas críticas a ela:
  • montava a cavalo
  • cantava em italiano
  • atirava com pistola
  • vestia-se de homem,
pois achava os trajes masculinos mais adequados às suas atividades. Desdenhava a "opinião alheia" ou falatório das comadres e puritanos de La Châtre. Nessa época morreu a avó.


Casou com um moço alegre, elegante, Casimir Dudevant, filho de um barão, e Maurice, o primeiro filho, nasceu em junho de 1823. Teve também uma filha, Solange. Metida em roupas masculinas (figura ao lado) passou a enfrentar tudo. Essa fase foi curta e determinada pelas pressões do meio, mas causou tremendo escândalo. Por tal período foi sempre lembrada. O uso de roupas masculinas deflagrou a sua imortalidade com o pseudônimo masculino. Passou para a História não com seu nome de mulher, mas como o de homem.


Começou a publicar livros com o pseudônimo masculino que a celebrizou. Ligou-se a Stéphane de Grandsagne, e a partir desse amor deixou a religião e os códigos morais da época. Ele foi o pai de sua filha. Conheceu Balzac. Jamais entregou-se a bebidas ou tóxicos. Ganhou fama, perdeu a tranquilidade. Entre seus livros alguns permaneceram, tais como:
  1. Indiana
  2. Valentine
  3. Lélia

Em viagem à Itália conheceu Stendall. Fixou-se em Veneza, onde viveu sua paixão por Alfred Musset. Ela publicou:
  1. André
  2. Jacques
  3. Lettres d' un voyageur
  4. François le Champi
  5. La petit Fadette

Sentia grande ternura pelos fracos e desamparados. Seus amantes foram doentes ou mais jovens do que ela. Defendeu incrivelmente, para seu tempo, a igualdade dos sexos. Foi percursora do movimento feminista. Conheceu Chopin e foi com ele para a ilha de Maiorca. O amor dos dois durou 8 anos. Acabou envelhecendo sozinha, como castelã em Nohant, amada pelos camponeses, que a chamavam de "a boa senhora".

Em 1848, defendeu o povo no artigo "Cartas ao Povo". Funda o jornal "A causa do Povo". O governo provisório distribui o "Boletim da República", de sua autoria. Dessa mulher os grandes da época se enamoraram. Era morena, magra, lábios finos, mas certamente o que os atraía eram a chama interior e a força que corria em suas veias.

Nasceu em 1804 e morreu em 1876, o caixão foi carregado pelos camponeses de blusas azuis, empunhando nas mãos um ramo de loureiro, segundo antiga tradição. O príncipe Napoleão também levou seu ramo de louro. Victor Hugo escreveu um réquiem, especialmente, para o sepultamento.



Origem: do livro 'Elas, mulheres que marcaram a humanidade' de Lúcia Pimentel Góes

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

'Coco' Chanel


Gabrielle Bonheur Chanel, (Saumur, 19 de agosto de 1883 - Paris, 10 de janeiro de 1971), mais conhecida como Coco Chanel, foi uma importante estilista francesa e uma mulher à frente do seu tempo. As suas criações até hoje ditam e influenciam a moda mundial. É a fundadora da empresa de vestuário Chanel S.A.





História
A família de Gabrielle era muito numerosa:
  • 4 irmãos, 2 meninos e 2 meninas. O pai, Albert Chanel, era caixeiro-viajante e a mãe, Jeanne Devolle, era doméstica.

Depois da morte precoce da mãe, o pai de Chanel ficou com a responsabilidade de tomar conta das crianças. Devido à profissão de seu pai, Coco e as irmãs foram educadas num colégio interno – então Coco com 12 anos, Julia com 13 e Antoinette 8 anos; enquanto que os irmãos foram trabalhar em uma fazenda de faz-tudo.

Aos 18 anos, encontra sua tia, que com a mesma idade e a mesma ambição de fugir do internato. Em 1903, com 20 anos, trabalhou como costureira em uma loja de enxovais. Fez tentativas na área da dança e do teatro.

Cerca de 1907-1908, em uma viagem a Vichy com seu tio, ela se põe a cantar e começa a sonhar com o music-hall. Perto dos 24 anos, aparece o apelido 'Coco', porque tem o hábito de cantar:
Quem viu Coco no Trocadero? "Qui qu'a vu Coco dans l'Trocadéro ? "

Com 25 anos, Chanel conheceu um rico comerciante de tecidos, chamado Etienne Balsan, com quem passou a viver. Por volta de 1910, na capital parisiense, Coco conheçeu o grande amor da sua vida – um milionário inglês Arthur Boyle, que a ajudou abrir a sua primeira loja de chapéus. A loja Chanel iria tornar-se um sucesso e apareceria nas revistas de moda mais famosas de Paris. Algum tempo depois, Boyle acabou a relação com Gabrielle para se casar com uma inglesa e meses mais tarde morreu num desastre de carro.

Chanel abriu a primeira casa de costura, comercializando também chapéus. Nessa mesma casa, começou a vender roupas desportivas para ir à praia e para montar a cavalo. Pioneira, também inventou as primeiras calças femininas.

No início dos anos 20, Chanel conheceu e apaixonou-se por um príncipe russo pobre, Dmitri Pavlovich, que tinha fugido com a sua família da Rússia, então União Soviética. A sua relação com Paulovitch a fez desenhar roupas com bordados do folclore russo e, contratou 20 bordadeiras. Neste período, Chanel conheceu muitos artistas importantes, tais como Pablo Picasso, Luchino Visconti e Greta Garbo.

Suas roupas vestiram as grandes atrizes de Hollywood, e seu estilo ditava moda em todo o mundo. Além de confecções próprias, desenvolveu perfumes com sua marca. Os seus tailleurs são referência até hoje.

Em 1921, criou o perfume que a iria converter numa grande celebridade por todo mundo, o «Chanel nº5». O nome referia-se ao seu algarismo da sorte. Depois deste perfume, veio o nº17, mas este não teve o mesmo sucesso.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Chanel fechou a casa e envolveu-se romanticamente com um oficial alemão. Reabriu-a em 1954. No final da guerra, os franceses conceituaram este romance mal e deixaram de frequentar a sua casa. Nesta década, Chanel teve portanto dificuldades financeiras. Para manter a casa aberta, Chanel começou a vender suas roupas para o outro lado do Atlântico, passando a residir na Suíça.

Devido à morte do ex-presidente norte-americano John Kennedy e à admiração da ex-primeira-dama Jackie Kennedy por Chanel, ela começou a aparecer nas revistas de moda com a criação dos seus tailleurs. Depois voltou a residir na França.

Faleceu no Hôtel Ritz Paris em 1971, onde viveu por anos. O seu funeral foi assistido por centenas de pessoas que levaram as suas roupas em sinal de homenagem.


Origem: Wikipédia

sábado, 10 de outubro de 2009

A viúva Clicquot - mulher de audácia

Barbe-Nicole Clicquot Ponsardin inventou a champanhe tal como se conhece hoje, expandiu seus negócios pelo mundo e criou um pioneiro sistema de distribuição de lucros entre funcionários, no século XIX. Temida pela concorrência, a viúva Clicquot deu novo significado à expressão "mulher de negócios".

Sempre que a aristocracia europeia do século XIX queria brindar com a mais pura espuma fervilhante de champanhe, pedia "la veuve" (a viúva). Não era preciso dizer mais. Todos sabiam que a senhora em questão era uma garrafa de Veuve Clicquot, o único espumante da época cristalino, doce na medida, cujas bolhas formavam delicada coroa ao chegar à borda da taça. Mas raramente madame Barbe-Nicole Clicquot Ponsardin, a viúva em pessoa, estava presente neste tipo de comemoração. Diferentemente da famosa bebida que tinha seu nome, não há notícia de que algum dia tenha saído da França; no máximo viajava a Paris, a 140 km de Reims, onde nasceu e trabalhou a vida inteira.

Com o tempo, tal invisibilidade social fez dela uma das mais ilustres desconhecidas dos últimos 200 anos. Hoje, poucos sabem que foi a primeira grande empresária internacional, responsável por transformar o vinho espumante em símbolo de bebida de luxo. Dessa mulher restou uma só imagem, estampada desde 1972 na tampa de metal dos 8 milhões de garrafas produzidas anualmente pela maison. O retrato pintado na década de 1860 por Léon Cognie, mostra uma octogenária vestida de negro. A imagem não condiz com a empreendedora trabalhadora, muitas vezes temerária, que fez de uma pequena empresa familiar um império proprietário de 275 hectares dos melhores vinhedos de Campagne.

Barbe-Nicole Ponsardin nasceu numa das mais ricas famílias de Reims. O pai Nicolas, fez fortuna no ramo têxtil (faturava o equivalente a 800 mil dólares por ano) e planejava para a primogênita um casamento com título de nobreza. A derrubada da monarquia pela Revolução Francesa em 1789 acabou com o sonho e ameaçou a vida da menina, de 11 anos, assim como a de toda a burguesia, identificada como inimiga do povo. Foi graças a ajuda da costureira da família que ela conseguiu fugir antes da invasão do Convento Real de Saint-Pierre-des-Dames, tradicional escola da elite. Disfarçada de camponesa, atravessou a pé a cidade com sua salvadora, que a escondeu em casa, na segurança do subúrbio pobre.

A genética também contribuiu. Dos 3 filhos de Nicolas, aquela ruivinha de olhos acinzentados foi a única que herdou sua capacidade de se adaptar às circunstâncias. Apesar de monarquista e católico fervoroso, monsenhor Ponsardin conseguiu cair nas graças do novo governo republicano, que considerava a religião um crime. Assim conservou a cabeça, o prestígio e a fortuna. Manteve a mansão na praça principal de Reims, onde foi realizada em 10 de julho de 1798 a cerimônia secreta do casamento religioso de sua filha com François, herdeiro do milionário produtor têxtil Philippe Clicquot.

Vizinhos desde a infância, imaginava-se que os noivos fossem amigos. Sonhador e violinista talentoso com tendências a depressão, François, não se interessava por tecidos; queria construir fortuna com o comércio de vinhos. Os recém-casados quase nada sabiam de vinho, mas uniram forças e terras num plano ambicioso: abastecer o promissor mercado russo com o forte e adocicado espumante da região, muito ao gosto do czar Alexandre I. Uma bebida fina e exclusiva – o champanhe Clicquot. O primeiro carregamento ficou pronto para a venda, em 1803, quando Napoleão mergulhou a Europa num conflito que duraria 12 anos. Já não havia compradores nem dinheiro para bebidas finas. Entre as primeiras vítimas das guerras napolêonicas estavam a empresa dos Clicquot. François morre em 23 de outubro de 1805, devido a febre tifoide, mas circularam boatos de que teria cortado a garganta em desespero pela falência iminente. Aos 27 anos e com uma filha de 6 anos, Barbe-Nicole fez o que na época apenas a viuvez permitia a uma mulher: assumiu os negócios. Com o apoio do pai e do sogro, teve como sócio um amigo das famílias, o rico proprietário vinícola Alexandre Jérôme Fourneau.

Com o bloqueio as exportações imposto à França pelos portos europeus, diz sua biógrafa que a viúva "começou a brincar com a ideia" do contrabando. Até 1810, seu espumante chegou às cortes inimigas e aliadas a bordo de navios que não podiam transportá-lo. Financeiramente o risco não compensou, mas as garrafas tornaram conhecido e apreciado o vinho da viúva Clicquot. Forneau abandonou a sociedade depois de embolsar o capital que tinha investido. Para manter viva a agora Veuve Clicquot Ponsardin e Companhia, produziu vinho tinto barato para o mercado interno, vendeu todos os colares de raras pérolas rosadas e um fabuloso diamante avaliado em 60 mil dólares (valor atual), dispensou funcionários, encheu as adegas com a fabulosa safra de 1811 e, esperou. Em abril de 1814, quando Napoleão abdicou, foi a primeira a chegar aos mercados que se abririam em breve. Quando Alexandre I anunciou o fim do embargo à Franca, 10 550 garrafas de Veuve Clicquot 1811 já estavam no porto prussiano de Konihsberg (perto de São Petersburgo) e outras 12 780 a caminho. Disputadas a peso de ouro, foram vendidas pelo equivalente a 100 dólares cada uma. Foi o único champanhe servido no aniversário do rei prussiano e saudado como o melhor do mundo – e começou a tornar madame uma das mulheres mais ricas da época.

Menos de 2 anos depois ela faria com que todos se curvassem também à sua competência técnica ao inventar o remuage – processo usado até hoje para melhorar a qualidade da champanhe removendo os resíduos que o deixam turvo, diminuindo o tempo e os gastos de produção. Por quase uma década, essa descoberta foi mantida em segredo, graças ao respeito que ela inspirava e a um sistema de participação nos lucros a empregados em posições-chaves.

  • Além do trabalho, a viúva tinha 3 paixões:
  1. romances de cavalaria
  2. comprar e decorar casas e
  3. homens jovens e bonitos
Ao se aposentar, aos 64 anos, em 1841, deu 50% da Clicquot a um dos seus protegidos, Édouard Werlé, um alemão que ela preparou para sucedê-la. Ela sabia não ter herdeiros para tocar seus negócios (após sua morte a casa foi administrada por Werlé e seus descendentes até ser comprada, em 1986, pelo grupo multinacional Louis Vuitton Moet Hennessy). Só a bisneta Anne mostrava tino comercial, mas preferia moda a champanhe. Para ela escreveu uma carta que é um autorretrato:

"Minha querida (...) você, mais do que ninguém, se parece comigo, pela audácia. É uma qualidade que me valeu muito... hoje sou chamada a Grande Dama do Champanhe! O mundo está em perpétuo movimento e precisamos inventar o amanhã. É preciso passar à frente dos outros, ter determinação e exatidão e deixar a inteligência conduzir a sua vida. Aja com audácia".


Barbe-Nicole morreu em 29 de julho de 1866, aos 89 anos, em seu castelo em Boursault, vale do Marne. Na época, 750 mil garrafas de Veuve Clicquot eram vendidas no mundo inteiro. Realizara o sonho do marido François e até o de seu pai – todas as mulheres da família ostentam títulos de nobreza – as irmãs por casamentos; ela porque, como disse o escritor Prosper Mérimée, era "a rainha não coroada de Reims".

Origem: Revista Claudia nº 10 ano 48 - outubro 2009

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Cecília Meireles



"...Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda..."

(Romanceiro da Inconfidência)





Filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil S.A., e de D. Matilde Benevides Meireles, professora municipal, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, na Tijuca, Rio de Janeiro. Única sobrevivente dos 4 filhos do casal. O pai faleceu três meses antes do seu nascimento, e sua mãe quando ainda não tinha três anos. Criada por sua avó D. Jacinta Garcia Benevides. Cecília escreveria mais tarde:

"Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.

(...) Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.

(...) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."


Conclui seus primeiros estudos — curso primário — em 1910, na Escola Estácio de Sá, ocasião em que recebe de Olavo Bilac, Inspetor Escolar do Rio de Janeiro, medalha de ouro por ter feito todo o curso com "distinção e louvor". Diplomando-se no Curso Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, em 1917, passa a exercer o magistério primário em escolas oficiais do antigo Distrito Federal.

Dois anos depois, em 1919, publica seu primeiro livro de poesias, "Espectro". Seguiram-se "Nunca mais... e Poema dos Poemas", em 1923, e "Baladas para El-Rei, em 1925.

Casa-se, em 1922, com o pintor português Fernando Correia Dias, com quem tem três filhas: Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda, esta última artista teatral consagrada. Suas filhas lhe dão cinco netos.

Publica, em Lisboa, Portugal, o ensaio "O Espírito Vitorioso", uma apologia do Simbolismo.

Correia Dias suicida-se em 1935. Cecília casa-se, em 1940, com o professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.

De 1930 a 1931, mantém no Diário de Notícias uma página diária sobre problemas de educação.

Em 1934, organiza a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, ao dirigir o Centro Infantil, que funcionou durante quatro anos no antigo Pavilhão Mourisco, no bairro de Botafogo.

Profere, em Lisboa e Coimbra, Portugal, conferências sobre Literatura Brasileira.

De 1935 a 1938, leciona Literatura Luso-Brasileira e de Técnica e Crítica Literária, na Universidade do Distrito Federal (hoje UFRJ).

Publica, em Lisboa, Portugal, o ensaio "Batuque, Samba e Macumba", com ilustrações de sua autoria.

Colabora ainda ativamente, de 1936 a 1938, no jornal A Manhã e na revista Observador Econômico.

A concessão do Prêmio de Poesia Olavo Bilac, pela Academia Brasileira de Letras, ao seu livro Viagem, em 1939, resultou de animados debates, que tornaram manifesta a alta qualidade de sua poesia.

Publica, em 1939/1940, em Lisboa, em capítulos, "Olhinhos de Gato" na revista "Ocidente".

Em 1940, leciona Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas (USA).

Em 1942, torna-se sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro (RJ).

Aposenta-se em 1951 como diretora de escola, porém continua a trabalhar, como produtora e redatora de programas culturais, na Rádio Ministério da Educação, no Rio de Janeiro (RJ).

Em 1952, torna-se Oficial da Ordem de Mérito do Chile, honraria concedida pelo país vizinho.

Realiza numerosas viagens aos Estados Unidos, à Europa, à Ásia e à África, fazendo conferências, em diferentes países, sobre Literatura, Educação e Folclore, em cujos estudos se especializou.

Torna-se sócia honorária do Instituto Vasco da Gama, em Goa, Índia, em 1953, nesse mesmo ano em Délhi, Índia, é agraciada com o título de Doutora Honoris Causa da Universidade de Délhi.

Recebe o Prêmio de Tradução/Teatro, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1962.

Em 1963, ganha o Prêmio Jabuti de Tradução de Obra Literária, pelo livro "Poemas de Israel", concedido pela Câmara Brasileira do Livro. No mesmo ano, seu nome é dado à Escola Municipal de Primeiro Grau, no bairro de Cangaíba, São Paulo (SP).

Falece no Rio de Janeiro a 9 de novembro de 1964, sendo-lhe prestadas grandes homenagens públicas. Seu corpo é velado no Ministério da Educação e Cultura. Recebe, ainda em 1964, o Prêmio Jabuti de Poesia, pelo livro "Solombra", concedido pela Câmara Brasileira do Livro.

Ainda em 1964, é inaugurada a Biblioteca Cecília Meireles em Valparaiso, Chile.

Em 1965, é agraciada com o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra, concedido pela Academia Brasileira de Letras. O Governo do então Estado da Guanabara denomina Sala Cecília Meireles o grande salão de concertos e conferências do Largo da Lapa, na cidade do Rio de Janeiro. Em São Paulo (SP), torna-se nome de rua no Jardim Japão.

Em 1974, seu nome é dado a uma Escola Municipal de Educação Infantil, no Jardim Nove de Julho, bairro de São Mateus, em São Paulo (SP).

Uma cédula de cem cruzados novos, com a efígie de Cecília Meireles, é lançada pelo Banco Central do Brasil, no Rio de Janeiro (RJ), em 1989.

Em 1991, o nome da escritora é dado à Biblioteca Infanto-Juvenil no bairro Alto da Lapa, em São Paulo (SP).

O governo federal, por decreto, instituiu o ano de 2001 como "O Ano da Literatura Brasileira", em comemoração ao sesquicentenário de nascimento do escritor Silvio Romero e ao centenário de nascimento de Cecília Meireles, Murilo Mendes e José Lins do Rego.

Traduziu peças teatrais de Federico Garcia Lorca, Rabindranath Tagore, Rainer Rilke e Virginia Wolf. Sua poesia, foi traduzida para o espanhol, francês, italiano, inglês, alemão, húngaro, hindu e urdu, e musicada por Alceu Bocchino, Luis Cosme, Letícia Figueiredo, Ênio Freitas, Camargo Guarnieri, Francisco Mingnone, Lamartine Babo, Bacharat, Norman Frazer, Ernest Widma e Fagner.


Bibliografia
Tendo feito aos 9 anos sua primeira poesia, estreou em 1919 com o livro de poemas Espectros, escrito aos 16 e recebido com louvor por João Ribeiro.


Publicou:
  1. Criança, meu amor, 1923
  2. Nunca mais... e Poemas dos Poemas, 1923
  3. Criança meu amor..., 1924
  4. Baladas para El-Rei, 1925
  5. O Espírito Vitorioso, 1929 (ensaio - Portugal)
  6. Saudação à menina de Portugal, 1930
  7. Batuque, Samba e Macumba, 1935 (ensaio - Portugal)
  8. A Festa das Letras, 1937
  9. Viagem, 1939
  10. Vaga Música, 1942
  11. Mar Absoluto, 1945
  12. Rute e Alberto, 1945
  13. Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1949 (biografia de Rui Barbosa para crianças)
  14. Retrato Natural, 1949
  15. Problemas de Literatura Infantil, 1950
  16. Amor em Leonoreta, 1952
  17. Doze Noturnos de Holanda & O Aeronauta, 1952
  18. Romanceiro da Inconfidência, 1953
  19. Batuque, 1953
  20. Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955
  21. Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955
  22. Panorama Folclórico de Açores, 1955
  23. Canções, 1956
  24. Giroflê, Giroflá, 1956
  25. Romance de Santa Cecília, 1957
  26. A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957
  27. A Rosa, 1957
  28. Obra Poética,1958
  29. Metal Rosicler, 1960
  30. Poemas Escritos na Índia, 1961
  31. Poemas de Israel, 1963
  32. Antologia Poética, 1963
  33. Solombra, 1963
  34. Ou Isto ou Aquilo, 1964
  35. Escolha o Seu Sonho, 1964
  36. Crônica Trovada da Cidade de Sam Sebastiam no Quarto Centenário da sua Fundação Pelo Capitam-Mor Estácio de Saa, 1965
  37. O Menino Atrasado, 1966
  38. Poésie (versão para o francês de Gisele Slensinger Tydel), 1967
  39. Antologia Poética, 1968
  40. Poemas italianos, 1968
  41. Poesias (Ou isto ou aquilo & inéditos), 1969
  42. Flor de Poemas, 1972
  43. Poesias completas, 1973
  44. Elegias, 1974
  45. Flores e Canções, 1979
  46. Poesia Completa, 1994
  47. Obra em Prosa - 6 Volumes - Rio de Janeiro, 1998
  48. Canção da Tarde no Campo, 2001
  49. Episódio humano, 2007


Teatro:
  1. 1947 - O jardim
  2. 1947 - Ás de ouros
Observação: "O vestido de plumas"; "As sombras do Rio"; "Espelho da ilusão"; "A dama de Iguchi" (texto inspirado no teatro Nô, arte tipicamente japonesa), e "O jogo das sombras" constam como sendo da biografada, mas não são conhecidas.


Outros:

1947 - Estréia "Auto do Menino Atrasado", direção de Olga Obry e Martim Gonçalves. música de Luis Cosme; marionetes, fantoches e sombras feitos pelos alunos do curso de teatro de bonecos.

1956/1964 - Gravação de poemas por Margarida Lopes de Almeida, Jograis de São Paulo e pela autora (Rio de Janeiro - Brasil)

1965 - Gravação de poemas pelo professor Cassiano Nunes (New York - USA).

1972 - Lançamento do filme "Os inconfidentes", direção de Joaquim Pedro de Andrade, argumento baseado em trechos de "O Romanceiro da Inconfidência".


sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Nefertari

Nefertari a esposa do Grande Ramsés II (faraó do Egito). Não deparamos com familiaridade nem confidência romântica, mas um casal régio em toda a sua glória e majestade. Ramsés honrou Nefertari de maneira excepcional. Embora tenha vivido bem mais do que ela, e outras esposas tenha tido, foi ela a única rainha ligada ao reinado de Ramsés.

Os pais de Nefertari são desconhecidos, eram talvez de origem relativamente modesta. Seu nome significa "a mais bela", "a mais perfeita", sendo muitas vezes seguido do epíteto "amada de Mut". Duas importantes referências:


  1. uma grande antepassada, a rainha Ahmés-Nefertari
  2. deusa Mut, esposa de Amon, senhor de Tebas

Nefertari desposou Ramsés antes de este ser faraó. Portadora de amor e do poder da Criação, a palavra da rainha torna felizes deuses e humanos. A sua formulação adoça o coração de Hórus, o rei, e traz-lhe a paz. Interpretando as inscrições ao pé da letra: teve quatro filhos e duas filhas.

Papel político – no ano I do reinado, a grande esposa real foi associada a atos importantes; depois de participar dos ritos de coroação, Nefertari foi apresentada junto de Ramsés, em Abidos, na cerimônia em que o rei nomeou Nebunenef sumo-sacerdote de Amon, assegurando-se assim da fidelidade do rico e poderoso clero de Tebas. Teve um papel ativo nos grandes rituais do Estado, indispensáveis para perpetuar a prosperidade das Duas Terras. Exerceu uma forte influência na política externa. Nas longas negociações, necessárias para conter a paz com os hititas.

O Palácio em Pi-Ramsés, capital, onde o casal real viveu era suntuoso:
  • no centro, uma sala com colunas coloridas
  • uma sala de audiências
  • uma sala do trono
  • a decoração sobre cenas campestres, a fauna e a flora
  • aposentos privados com grande conforto, com sala de banho
  • jardins e lagos, acácias, palmeiras, sicômoros e romãnzeiras

Abu-Simbel – no centro da Núbia, 2ª catarata do Nilo, dois templos escavados na falésia, na margem do rio, cerca de 1 300 km ao sul de Pi-Ramsés. A deusa Hathor reinava nesse lugar, sob a proteção da soberana do amor celeste, o faraó decidira exaltar o casal régio de maneira monumental, nos dois templos próximos um do outro. Estes templos foram inaugurados por Ramsés e Nefertari no inverno do ano 24 do reinado. De acordo com as inscrições hieroglíficas, Ramsés mandou-o construir como obra de eternidade para a grande esposa real Nefertari, a amada de Mut, para todo o sempre, Nefertari, para cujo esplendor o Sol brilha. Esse pequeno templo é uma maravilha, a estatura da rainha é igual à do rei. A cena da coroação de Nefertari é extraordinária: a rainha, na suprema elegância do seu corpo fino e alongado, tem na mão direita a "chave da vida" e, na esquerda, um cetro floral. Sua coroa é composta de um Sol no meio de dois chifres e duas altas plumas, que fazem dela a encarnação de todas as deusas criadoras. Na fronte, o uraeus, a cobra fêmea que queima os inimigos e dissipa as forças negativas. Ramsés é o esposo do Egito, e Nefertari a mãe; no naos do seu templo, ela identifica-se com Hathor e Ísis, cria as cheias e dá vida a todo o país.

Morte – nenhum documento identifica a data de sua morte. Outro monumento que canta para sempre a glória de Nefertari é a sua morada eterna no Vale das Rainhas, que é uma grande obra-prima da arte egípcia e recentemente restaurada. Essa morada eterna é vasta e inclui várias salas que conduzem à "sala do ouro", onde o corpo de luz da rainha havia sido animado pelos ritos. A morada eterna de Nefertari é um verdadeiro livro de sabedoria, reconstituindo as etapas de uma iniciação feminina. Muito para além da sua existência terrestre, a grande esposa real de Ramsés II lega-nos assim um inestimável testemunho.

Origem: 'As Egípcias' de Christian Jacq

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Cor de rosa choque

de Rita Lee e Roberto de Carvalho

Nas duas faces de Eva
A bela e a fera
Um certo sorriso
De quem nada quer...

Sexo frágil
Não foge à luta
E nem só de cama
Vive a mulher...

Por isso não provoque
É Cor de Rosa Choque

Não provoque!
É Cor de Rosa Choque

Não provoque!
É Cor de Rosa Choque

Por isso não provoque
É Cor de Rosa Choque...

Mulher é bicho esquisito
Todo o mês sangra
Um sexto sentido
Maior que a razão
Gata borralheira
Você é princesa
Dondoca é uma espécie
Em extinção...

Por isso não provoque
É Cor de Rosa Choque

Não provoque!
É Cor de Rosa Choque...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Sara Bernhardt, a atriz

Sara Bernhardt (1844-1923), cresceu na Bretanha, conhecendo apenas a afeição da pobre ama camponesa.

Certa vez, caiu no fogo, pois estava presa a uma cadeirinha, enquanto a ama trabalhava na colheita de batatas. Seus gritos foram ouvidos, acudiu muita gente. Seu apelido era Flor-de-leite, e ela foi submergida em leite recém tirado e untada com manteiga. Apareceram tias de todos os lados. Sua mãe, viajava pelo mundo e raramente aparecia para visitá-la. Um dia atirou-se pela janela, quebrou um braço em dois lugares e partiu a rótula. Levou dois anos para curar-se, por ser extremamente frágil. Aos sete anos foi para o internato. Quis ser freira. Foi enviada para o conservatório, para estudar arte dramática.

Ficou conhecida por ter gênio violento. Magra, franzina, pálida, olhos vivos, boca amargurada, cabelos crespos de um loiro dourado. Uma de suas primeiras apresentações representou uma russa desmiolada, numa peça fraca. Os comentários impiedosos da mãe a fizeram partir para Espanha. Quando regressou, não conseguiu mais morar com a mãe e mudou para outra casa e levou sua irmã caçula, ainda pequena. Logo consegue um contrato com o Teatro Odéon. A primeira peça não lhe rendeu nada, mas Zacharie marcou seu triunfo. Sua voz impressionou a todos, e seus gestos harmoniosos. Passou a ser a preferida dos estudantes. Nesse teatro realizou-se, embora na Commédia Française tivesse aprendido muito. Linda voz, perfeita dicção era aclamada com delírio.

Veio a guerra entre a França e a Espanha, Sara conseguiu autorização do Ministério da Guerra para a fundação de um hospital militar. Conseguiu arrecadar doações de seus amigos, do Prefeito, o conde Kératry; seu velho amigo. Depois do tratado de paz de 1871, procurou trazer a família de volta à Paris.

Em 26 de janeiro de 1872, no Teatro Odéon viveu seu dia mais glorioso:
  • ao fim da representação de Ruy Blas, do escritor Victor Hugo, este ajoelhou-se a seus pés agradecendo
Fez uma viagem à Inglaterra, turnê verdadeiramente triunfal. Oscar Wilde lançou-lhe aos pés, para que pisasse, uma braçada de lírios. Sendo também, pintora e escultora, vendeu suas peças e com o dinheiro queria comprar leões. Tinha fascinação pelos animais. Demitiu-se da Commédie Française e aceitou excursionar pela América durante sete meses:
  • 50 cidades e 156 espetáculos
Em 1905 viajou em turnê para o Brasil, Argentina e Estados Unidos. No Rio de Janeiro, no Teatro Lírico, recita a Tosca de Sardou, na cena do suicídio em que a personagem se atira de uma sacada, ela sofre uma fratura exposta, que mais tarde, em Paris, acabou gangrenando e ela teve que amputar a perna.

Ela dividia as preferências do público com a grande Eleonora Duse, mas os grandes homens de seu tempo a rodeavam:
  1. Freud
  2. Flaubert
  3. Victor Hugo
  4. Alexandre Dumas,
e uma enorme lista incluindo altezas e artistas.

Maurice seu filho, nasceu de um amor vivido com um herdeiro imperial, mas ela não fez questão do reconhecimento do filho, pelo pai. Maurice era belíssimo.


Atingiu o máximo do sucesso. Classificavam sua voz como "soprano coloratura" ou "mezzo soprano". Sua voz tinha vibrações, modulações de timbre inigualável, de pureza radiosa. Mereceu ser chamada de "A divina S". Mas a descida foi terrível, sua voz principiou a alterar, perdera as modulações harmoniosas, fugiu do palco. Sofrendo intensamente, atuava em papéis cada vez mais reduzidos. Ainda era seu o título de maior atriz da França.

Somando-se à perda vocal, os efeitos da queda que sofrera quando criança e a deixara entrevada por dois anos, retornaram com gravidade. Teve de passar pelo trauma e pela dor atroz da cirurgia de amputação. Surpreendendo a todos, voltou à ribalta, uma guerreira tem direito à sua última batalha. A perna mecânica tornando seu andar rígido, o esforço transparecendo nas feições. Morreu aos 79 anos em 1923.



Origem: do livro 'Elas mulheres que marcaram a humanidade' de Lúcia Pimentel Góes

sábado, 15 de agosto de 2009

Maria Antonieta, a ré

"Danton, o homem mais enérgico e sem escrúpulos de toda a revolução, ergueu a bandeira sanguinolenta do Terror e tomou a horrenda decisão de fazer trucidar no cárcere, no decurso de três noites, todos os prisioneiros que pudessem ser suspeitos [...] Dois daqueles canibais arrastaram pelas pernas o tronco nú, um outro levantava nas mãos as vísceras sanguinolentas; um terceiro ergueu sobre um varapau a cabeça, coberta de uma palidez esverdeada, da desgraçada princesa". Stefan Zweig


Por interesses políticos, uma aliança foi acertada entre os Bourbons e os Habsburgos, até então inimigos. O casamento do herdeiro da coroa francesa – os Bourbons, com uma princesinha linda, encantadora toda graça, que corria e brincava com os irmãos e amiguinhos por todo palácio e jardins do castelo dos Habsburgos. Ela não gostava nem de livros, nem de aulas.

Em 1769 finalmente, chega a carta oficial, o pedido de casamento. A maior pompa presidiria a união. Luís XV encomendou dois carros de um esplendor nunca visto: madeira preciosa, vidros de cristal, forração de veludo. Para o delfim (e toda a corte), novas casacas, trabalhadas com pedras preciosas. O brilhante Pitt, o mais famoso de então, ornaria o chapéu de Luís XV.

O embaixador francês chega em Viena para o pedido formal, prenunciando o fausto:
  • 48 carros puxados por seis cavalos cada um
  • 117 homens da guarda com librés de luxo
A mão da princesa foi pedida em sessão pública, e ela teve que renunciar aos seus direitos austríacos. Bailes sucederam-se nos palácios. Em 19 de abril, o casamento por procuração aconteceu na igreja dos Capuchinhos. Em 21 de abril tem lugar o jantar íntimo com a família e a despedida. A mãe lhe entrega uma carta, que deveria ler todo dia 21 de cada mês, e outra em particular ao Rei, pedindo relevar os catorze inexperientes anos de sua filha.

A cavalgada prossegue, 340 cavalos devem ser trocados em cada estação de correio. Atravessam a Áustria, a Baviera, se aproximam das fronteiras. Um edifício curioso está sendo erguido numa ilha, no centro do rio Reno. Todo um ritual de despojamento é criado para que ela rompa o mais tênue laço com a casa d'Áustria. A etiqueta exigiu, que nenhum fio de manufatura austríaca a envolvesse. O conde de Satarhemberg, vestido à moda francesa, a conduz até o salão de entrega, onde a aguardava a delegação dos Bourbons.

De todas as aldeias e povoados o povo acode para saudá-la, encantados com seus cabelos dourados, olhos azuis, o sorriso infantil. Do chafariz da praça, jorra vinho no lugar da água; bois inteiros são assados. Nas árvores luzem as bolas coloridas de vidro com velas acesas. O monograma entrelaçado do delfim e da delfina brilham na noite. Ela escreveu para mãe:
"Que felicidade a nossa de poder conquistar o afeto de um povo inteiro. Não há nada mais preciosa, bem o compreendi, e nunca o esquecerei".

Ela, desde esse dia, ficou fascinada por Paris. Fausto e requinte imperou no jantar nupcial partilhado por 6 000 nobres. O enfim sós não levou a nada. O jovem noivo escreveu em seu diário: "Rien!". Assim por 2 000 noites, sete anos dos 15 aos 22 anos, ela permaneceu virgem.

Dedicou-se aos centros de diversões, teatros, bailes à fantasia, porque a máscara era a única liberdade aos rígidos costumes reais que lhe impunham. Podia conversar, dançar. Divertiu-se, sempre distante e ignorando o povo. A menina de 15 anos cedeu lugar a uma atitude cheia de majestade e altivez. Não podendo apaixonar-se pelo marido, apaixonou-se por si própria, sentenciaram seus críticos. Mesmo antes de ser rainha, quis ser soberana pela sua graça e beleza. E o conseguiu.

Em agonia o velho rei morre. Ela e o marido ouviram o rufar dos tambores. Os oficiais desembainharam suas espadas, e os gritos como vaga avançaram até eles:
"Morreu o Rei! Viva o Rei!"
Apesar dos contrastes, das grandes diferenças entre eles, formaram um casal aliado e cordial. Ser soberana, tinha para ela um só sentido: ser livre. Escreve para mãe:

"Embora Deus já me tenha feito nascer no posto que hoje ocupo, não posso deixar de admirar as disposições da Providência escolhendo a mim, última dos vossos filhos, para o mais belo reino da Europa!"

Porém sua juventude, aliada à fraqueza do marido, precipitaram-na na futilidade, desviando-a de sua missão de soberana. Passava seu tempo escolhendo seus vestidos, pois nunca poderia repetir um só deles. Tornou-se escrava da moda, e o luxo dominou a corte como devastadora epidemia. Maria Teresa, sua mãe, cansou de censurá-la. Os cuidados com o cabelo e o penteado tornou-se detalhe classificatório de alta estirpe e distinção. Outra paixão da rainha eram as jóias, que a levou a contrair dívidas. Depois entregou-se aos jogos. Ganhou do marido, um pequeno palácio – o Trianon, para fugir da vigilância de Versailles, nesse castelo podia ser feliz e livre.

Poderia ter tido a seu lado a nobreza, mas tratou-a com frieza. O povo a teria idolatrado, mas ignorou-o. Quis ficar sozinha na felicidade, depois estaria só na tragédia. Nessa altura, encontrou aquele, o único que amaria, e por quem seria adorada. Estava com 22 anos em 1777.

Em 30 de agosto de 1778, o matrimônio consumou-se. No ano seguinte, a rainha está grávida. Deu à luz em 18 de dezembro de 1779, a uma menina. Em 1781, nasce o herdeiro do trono. Por mais duas vezes ela foi mãe. Em 1785 nasceu o segundo filho homem, o futuro Luís XVII, e em 1786, uma menina que só vive 11 meses.

A revolução reunia-se no Palais Ruyal do duque de Orléans. A ele unia-se o coro de maldades das 3 tias. Essas duas frentes atacavam a soberana. De escanteio, o conde de Provença, irmão de seu marido, o que viria a ser Luís XVIII, aguardava sem decidir-se.

  • o rei convoca a Assembléia Nacional,
  • Versailles volta a ser capital em 1789
  • morria o delfim de 6 anos de idade
  • a 14 de julho é tomada a Bastilha
  • a 4 de agosto proclama-se os Direitos do Homem
  • rebenta um tumulto em Paris, mulheres avançam sobre Versailles
  • os reis foram se hospedar nas Tulherias

A infelicidade instaurou nova etapa na vida dessa mulher singular. Pela primeira vez, começa a meditar e a refletir. Só aos 35 anos compreendeu seu verdadeiro destino: aparecer diante da História como rainha e como filha de Maria Teresa, revestiu-se de audácia e grandeza. Sente correr o sangue de todos os seus antepassados. Ser uma Habsburgo, herdeira e descendente de antiquíssima honra dos cesares, fez com que ultrapassasse a si própria.

Numa noite fatídica, 20 de junho de 1791, tentou-se uma fuga. Um homem se ligará a ela como fiel amigo, seu único amor – o sueco Hans Axel de Fersen, até o fim cometendo erros táticos, outras vezes, atos heróicos, procurou salvá-la do horrível destino. Ela foi cruel com a Revolução, e esta a fez pagar cruelmente. Descobertos, voltaram escoltados e comprimidos na carruagem. A família real foi transferida para um cárcere. O rei Luís XVI, processado, foi condenado à morte. A ela e aos filhos concederam uma última visita. O pesado carro levou-o ao cadafalso. Ela tornara-se a Viúva Capeto.

A rainha tranformara-se, aos 38 anos em uma exausta e pálida matrona, presa a uma cela. A criada da guardiã, uma pobre mocinha de campo, Rosália Lamorlliére, não sabia escrever, mas fez a mais comovente narrativa dos últimos 77 dias da rainha:

– Quis ajudá-la a despir-se, porém ela respondeu
– "Muito agradecida, minha filha, desde que não tenho mais nada, eu me sirvo a mim mesma"

Seus fiéis amigos e os de sua mãe movimentaram-se, porém seus parentes próximos, não mexeram uma palha para salvá-la.

Quando compareceu ao Tribunal, era uma mulher velha, de cabelos brancos, doente, sofrendo continuas e graves hemorragias. Foi quando lançaram-lhe a mais pérfida infâmia. Encontrando o menino masturbando-se, o chamado vício dos "plaisirs solitaires", o infeliz justificou-se ou foi sugerido que aprendera com a mãe e a tia. Interrogatórios foram aplicados ao menino de 8 anos, à irmã de 15 anos e a madame Elizabeth. Durante todo o processo ela não fraquejou. Ao horror da acusação incestuosa, quando interpelada seu silêncio respondeu:

" – Se não respondi é porque a natureza se recusa a responder a semelhante acusação dirigida a uma mãe! Apelo para todas as mães que possam estar nesta sala."

As mulheres ali reunidas sentiram-se solidárias com a rainha, pois a infâmia contra ela lançada atingia todo o sexo. Sua condenação à morte, foi concedida por unanimidade.

Na pequena alcova, à luz de duas velas, pediu papel e tinta e escreveu uma carta para Elizabeth, irmã de seu marido, única protetora de seus filhos. Não foi entregue, e a carta desapareceu durante 20 anos. Quando Luís XVIII, outro Bourbon, irmão do soberano falecido, subiu ao trono, recebeu como presente.

A carreta esperava, puxada por um forte e lento cavalo de carroça. Luís XVI fora conduzido em carruagem fechada. Sentou-se em tábuas sem almofadas. Mais tarde, madame Roland, Danton, Robespierre, Fouquier, Hérbet, todos que a mandarm à morte, fizeram, eles mesmos, idêntico percurso, sentados na mesma tábua dura.

Os carrascos agarram-na, deitam-na sobre o patíbulo, a cabeca sobre a lâmina, um puxão na corda, o brilho do cutelo descendo, um baque surdo. Sanson agarra a cabeça pelos cabelos e erguendo-a mostra-a para o povo, que berra: – Viva a República! As sepulturas não foram assinaladas. O único indício para localizar os corpos reais era de que a Convenção ordenara que fossem cobertos com cal viva. Depois de dias de escavação, encontraram um caixão de madeira, já carcomido, e estabelecido ficou que o punhado de pó fora daquela:
  • "que no seu tempo era considerada a soberana da graça e da elegância e, mais tarde, uma rainha destinada e escolhida para todas as dores". (1755-1793)


Origem: 'Mulheres que marcaram a humanidade' de Lúcia Pimentel Góes

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Todas as vidas

Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto,
Bota feitiço...
Ogum, Orixá.
Macumba, terreiro...

Vive dentro de mim
a lavadeira do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d'água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde de são-caetano.



Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
Toda pretinha.
Bem cacheada de pucumã.
Pedra pontuda
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada, sem
preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha
e filharada.



Vive dentro de mim
a mulher roceira.
Enxerto da terra,
meio casmurra.
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.

Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
tão desprezada,
tão murmurada...
Fingindo alegre seu triste fado.
Todas as vidas dentro de mim:
Na minha vida – a vida mera das obscuras.














































Cora CoralinaPoemas dos becos de Goiás e Estórias mais

domingo, 9 de agosto de 2009

Grande mulher, grã-duquesa Isabel

A Grã-Duquesa Isabel Feodorovna da Rússia nasceu no dia 1 de novembro de 1864 em Hesse-Darmstadt, Alemanha e era esposa do Grão-Duque Sergei Alexandrovich, 5º filho do Czar Alexandre II. Era conhecida por “Ella” pela família e amigos e era a irmã 8 anos mais velha da Czarina Alexandra Feodorovna, esposa do Czar Nicolau II. Isabel tornou-se famosa na sociedade russa pela sua beleza, charme e trabalhos de caridade entre os pobres.

Em novembro de 1864, a Princesa Alice de Hesse escreveu uma carta à sua mãe, a rainha Vitória do Reino Unido, onde lhe contava que ela e o seu marido tinham decidido chamar a sua segunda filha, nascida no primeiro dia desse mês, de Isabel em honra da Santa mais amada e venerada no pequeno ducado de Darmstadt. “Esqueci-me de te dizer,” escreveu ela mais tarde numa outra carta, “em resposta à tua carta sobre o nome da Ella que ela deve ser chamada de Isabel. Apenas ‘entre-nous’ a tratamos por Ella.” Nos meses que se seguiram as suas cartas para a mãe enchiam-se de pormenores sobre a doçura da nova bebê, dos seus olhos azuis-escuros, do seu cabelo loiro, da sua alegria, a sua bondade e, ocasionalmente, das suas asneiras.

Em agosto de 1865, a Rainha Vitória foi até Darmstadt, em parte para assistir ao inicio da construção do novo Palácio da Princesa Alice e do seu marido e em parte para conhecer a sua nova neta. Sem se alarmar ou intimidar com o ar majestoso que rodeava a mulher baixa e forte, vestida com um longo vestido negro, a bebê sorriu-lhe e deixou que a sua avó lhe beijasse as bochechas sem qualquer protesto. “Ela é muito boa, a minha avó,” disse ela um pouco mais tarde e a Princesa Alice ficou, sem dúvida, aliviada, uma vez que a sua segunda filha tinha as suas próprias ideias e tinha-se revoltado com a sua outra avó, a Princesa Charles de Hesse lhe tinha tentado tocar. “É muito cansativo,” disse a Princesa Alice sobre o fato de a sua adorável filha não se conseguir comportar com pessoas desconhecidas.

Mas quando no verão de 1865 a sua mãe a levou a visitar Heilligenberg e a sua tia-avó Maria Feodorovna (esposa do Czar Alexandre II) pegou nela ao colo, a pequena criança ficou encantada e colocou os seus braços à volta do seu pescoço, colando a sua cara aquela que era a fria Czarina da Rússia e que encontrou na sua adorável sobrinha-neta um refúgio para os seus dias de solidão no Palácio de Alexandre. Foi durante esta visita que Isabel brincou pela primeira vez com aquele que seria o seu futuro marido, o Grão-Duque Sergei Alexandrovich.

Apesar de descender de uma das mais antigas e mais poderosas famílias nobres da Alemanha, Isabel e a sua família tinham uma vida bastante modesta quando comparada com os padrões reais. As crianças varriam o chão e arrumavam os seus próprios quartos enquanto a sua mãe confeccionava as suas roupas e as dos filhos. Durante a Guerra Austro-Prussiana, era frequente a Princesa Alice levar Isabel consigo quando visitava soldados feridos num hospital próximo. No meio deste ambiente relativamente feliz e seguro, Isabel cresceu rodeada de hábitos domésticos ingleses e o inglês tornou-se sua língua principal, assim como a dos seus irmãos. As crianças falavam inglês com a mãe e Alemão com o pai. «ao lado foto de Ella sentada com a irmã Mae nos braços, Irene, Ernesto, Alice(Alexandra da Rússia) e Vitória»

No outono de 1878, quando Isabel tinha 14 anos, a difteria abalou a casa Hesse matando a sua irmã mais nova, Maria (conhecida na família por Mae) no dia 16 de novembro desse ano. Isabel foi a única dos irmãos que não apanhou a doença e foi enviada para a casa dos avós paternos para não ser afetada. Enquanto lá estava, no dia 14 de dezembro, a sua mãe sucumbiu à doença depois de cuidar de todos os filhos durante essas semanas. Quando Isabel foi autorizada a regressar à sua casa, descreveu a reunião como “terrivelmente triste” e disse que tudo parecia “um pesadelo horrível”.


Pretendentes e Casamento
Durante a sua juventude, Isabel era sedutora e tinha uma personalidade muito aberta. Muitos historiadores consideram-na uma das mulheres mais bonitas da Europa nesta altura. Foi durante esta época que ela chamou a atenção do seu primo mais velho, o futuro kaiser Guilherme II da Alemanha. Ele estudava na Universidade de Bonn e não era raro visitar os seus parentes de Hesse aos fins-de-semana. Durante estas visitas ele apaixonou-se por Isabel e escreveu-lhe numerosos poemas de amor que lhe enviava. Embora se sentisse elogiada pela atenção que recebia por parte do primo, Isabel não se sentia atraída por Guilherme e rejeitou-o educadamente. O futuro kaiser ficou frustrado e decidiu desistir da Universidade para voltar a Berlim. Além de Guilherme II, Isabel tinha muitos admiradores, entre os quais o Lord Charles Montagu, Segundo filho do 7º Duque de Manchester e Henry Wilson que se tornaria num famoso soldado. Outro dos seus admiradores era o futuro Frederico II, Grão-Duque de Baden e primo de Guilherme.

Eventualmente foi um Grão-Duque russo que conquistou o coração de Isabel. A tia-avó de Isabel, nascida em Hesse, era uma visita frequente no condado e, durante as suas visitas, era sempre acompanhada pelos seus filhos mais novos, Sergei e Paulo. Isabel conhecia os dois irmãos desde bebê, mas achava-os demasiado arrogantes e reservados. Sergei, particularmente, era um jovem calado, muito religioso e apaixonou-se por Isabel quando a viu pela primeira vez depois de muitos anos. Mais tarde ele pediu-lhe para casar com ele, mas, a principio, Isabel não se sentia apaixonada por ele. A opinião da Princesa mudou quando Sergei perdeu os seus pais no mesmo ano. Maria Feodorovna de Hesse morreu de doença e Alexandre II foi morto num atentado à bomba em São Petersburgo quando se encontrava a caminho de uma reunião que tornaria a Rússia numa monarquia constitucional.

O Grão-Duque encontrava-se em Roma quando o seu pai foi assassinado e, por isso, foi-lhe poupada a visão do seu corpo mutilado. Sergei admirava o seu pai e a sua morte fez com que se tornasse num selvagem anti-revolucionário que não escondia o ódio que sentia pelas pessoas que tinham ignorado os esforços de Alexandre II em liberalizar o país. A morte da sua mãe foi também difícil uma vez que ambos eram devotos um ao outro. Estes eventos mudaram-no e Isabel passou a vê-lo “com outros olhos”, uma vez que compreendia a dor pela qual ele passava depois de ter perdido a sua própria mãe. Outras parecenças como a arte e a religião aproximaram-nos cada vez mais. Há quem diga que ele gostava particularmente da sua personalidade que o fazia recordar a sua adorada mãe. Por isso, quando Sergei voltou a pedir a mão de Isabel, ela aceitou e ambos tiveram autorização do pai dela para se casarem. A Rainha Vitória não ficou particularmente encantada com a união.

O noivado da Princesa Isabel foi curto, uma vez que Sergei queria que o casamento se realizasse o mais rapidamente possivel e, apesar do pai dela não aceitar completamente a sua pressa, foi forçado a lidar com ela quando em junho de 1884 chegou a São Petersburgo com Isabel e as suas duas irmãs mais novas Irene e Alice.

A Rússia, com a sua vastidão, a sua atmosfera estranha e inexplicável, surpreendeu as duas princesas mais velhas que, à exceção da Inglaterra, tinham visto muito pouco do mundo. As enormes praças e largas ruas de São Petersburgo, o Neva, maior do que qualquer rio inglês ou alemão, as cúpulas e espirais douradas das catedrais, a grandeza do Palácio de Inverno e a graciosidade da alta sociedade eram tão únicos e inesperados que elas se sentiram desorientadas e confusas, incapazes de se acostumarem ao ambiente estranho e pouco familiar que as rodeava. Elas sentiam-se intimidadas pelas multidões de criados e damas-de-companhia que as rodeavam sem descanço, pelos conselheiros da Corte que davam diferentes instruções e, acima de tudo, pelo irmão de Sergei, o Czar Alexanre III. O imperador era alto, tinha ombros largos, uma voz alta e mãos que conseguiam endireitar uma ferradura sem grande esforço. Apenas Alice que tinha apenas 12 anos na altura parecia não ter nenhuma apreensão. Ela não via nada de assustador, apenas “os corredores vastos e inspiradores do Palácio de Inverno com os seus quilômetros de chão dourado” e passou a maior parte do tempo a jogar às escondidas entre os pilares com o filho mais velho de Alexandre III que era, normalmente, tímido e indiferente com estranhos, mas achava aquela menina com os seus caracóis loiros uma companhia encantadora e com quem se sentia perfeitamente relaxado.

O Grão-Duque de Hesse não tinha permitido que a sua filha mudasse de religião antes do casamento, por isso houve uma cerimônia Luterana e uma Ortodoxa. Quando finalmente ambas as cerimônias acabaram e uma Isabel pálida teve de se despedir do seu pai e das irmãs, sentiu-se que ela estava aterrorizada com a perspectiva de ser forçada a viver uma nova vida num país desconhecido, rodeada de estranhos, novas ligações e com um marido que, no fundo, mal conhecia. Não existe nada que mostre se a nova Grã-Duquesa se sentia infeliz. Se sofria, fazia-o em silêncio, sem se queixar uma única vez. No entanto o sentimento geral na sociedade de São Petersburgo era de simpatia para com aquela jovem ingênua que se tinha casado com um homem conhecido pela sua rudeza e que se dizia esconder uma vida de imoralidade viciosa.

Sergei era considerado um homem bonito, sempre vestido no seu uniforme verde-escuro que lhe dava um aspecto de respeito e conservadorismo. As pessoas que o conheciam diziam que sempre que estavam ao pé dele sentiam sempre que, por detrás da sua expressão controlada, havia uma camada secreta de raiva e frustração. Ele adorava a sua mulher, venerava a sua beleza e cobria-a de presentes como as mais caras jóias e peles, mas era frequente ele censurar o comportamento dela em público se ela se esquecesse das suas instruções ou cometesse o que ele considerava ser uma falta nas regras de etiqueta.

Ninguém que via a Grã-Duquesa Isabel naqueles dias se esquecia dela. “Ela era a criatura mais bela de Deus que eu alguma vez vi”, escreveu um escritor contemporâneo. No entanto, embora se tivessem deixado levar pela sua beleza e apesar de ela ser jovem, alegre e uma pessoa que gostava de desfilar as jóias e roupas que o seu marido lhe oferecia, nunca houve nenhum escândalo ligado ao seu nome.

A Grã-Duquesa Isabel converteu-se à Igreja Ortodoxa apenas dois anos depois do casamento, muito contra a vontade do seu pai. Quando o Grão-Duque de Hesse soube que o Czarevich Nicolau se tinha apaixonado pela sua filha mais nova, a Princesa Alice, ele recusou-se a permitir que outra filha sua abdicasse da sua fé luterana. A Rainha Vitória também não aprovava estas mudanças de religião e não gostava particularmente da ideia de ver a sua neta favorita noiva do herdeiro ao trono russo. Ela tinha-o achado charmoso, simples e natural quando ele visitara Windsor, mas ao mesmo tempo tinha ficado com a sensação de que ele tinha falta de estabilidade e não conseguia tomar decisões por si mesmo. O Imperador e a Imperatriz partilhavam a sua apreenção, mas por razões completamente diferentes, A Princesa Alice não tinha ficado muito bem vista quando visitara São Petersburgo. Alexandre III achou-a uma alemã típica e Maria Feodorovna ficou incomodada com a sua apatia, além disso ela queria ver o seu filho casado com a filha do conde de Paris e não via como aquela pequena Princesa de Hesse com um feitio tímido e quase hostil poderia ser uma boa esposa. Tal como o seu avô, Alexandre II, o Czarevich estava determinado a conseguir aquilo que queria. “O meu sonho é casar-me com a Alice de Hesse”, escreveu ele no seu diário no dia 21 de dezembro de 1889.

Isabel teve uma grande responsabilidade para com a relação do seu sobrinho com a sua irmã. Foi ela que incentivou o amor entre ambos e convenceu a Rainha Vitória (que queria casar Alice com o seu neto Alberto) a aceitar uma possível união entre a sua neta favorita e o Czarevich da Rússia. Finalmente em abril de 1894, o Imperador cedeu, e deu a sua permissão para que houvesse noivado. Nicolau pediu Alice em casamento, mas como esposa do Czarevich e herdeiro ao trono, a Princesa sabia que teria de mudar de religião e, a principio, não conseguiu decidir-se se aceitaria o pedido ou não. “A pobrezinha chorou muito,” escreveu Nicolau no seu diário onde descreveu a conversa que teve com ela que se prolongou até à meia-noite. No dia 8 de abril, no entanto, chegou “um dia lindo e inesquecível” quando o jovem casal foi até ao quarto da Rainha Vitória de mão dada para lhe comunicar que tinham chegado a um acordo. “Fiquei bastante surpreendida”, escreveu a Rainha Vitória no seu diário, “Pensava que, por muito que o Nicky quisesse ir em frente com isto, a Alice não se iria decidir.” O casamento realizou-se em novembro e Alexandra foi coroada Czarina juntamente com Nicolau que passou a ser o Czar de Todas as Rússias.

Em 1891, Isabel e Sergei que não tinham filhos praticamente adotaram os seus sobrinhos Maria e Dmitri Pavlovich, filhos do irmão de Sergei, Paulo. A mãe das crianças tinha caído quando tentava saltar para um barco em andamento e estava grávida de Dmitri. O bebê nasceu prematuro e a mãe morreu poucas horas depois. O pai ficou em estado de choque com a morte da esposa e aceitou de bom grado a ajuda do irmão e da cunhada. Muitos não acreditavam que o bebê fosse sobreviver, mas Sergei ajudou-o, dando-lhe os banhos prescritos pelos médicos, cobrindo-o com mantas de algodão e enchendo o seu berço com garrafas de água quente para manter a temperatura do bebê regular. “Estou a gostar muito de tomar conta do Dmitri,” escreveu Sergei no seu diário. Mais tarde Dmitri seria um dos assassinos de Rasputin, juntamente com o Príncipe Felix Yussopov. Nesse ano Sergei foi também nomeado Governador de Moscou e a família mudou-se para a nova cidade.

A desastrosa guerra Russo-Japonesa de 1904 trouxe uma tarefa à Grã-Duquesa que ela cumpriu de uma forma que deixaria orgulhosa a sua avó Vitória se ela fosse ainda viva. Como esposa do Governador de Moscou, Isabel era líder das organizações da Cruz Vermelha da cidade. Ela enviou comboios-ambulância e equipamento para os soldados enquanto organizava salas de trabalho no Palácio do Kremlin e estava lá todos os dias a supervisor e dar motivação as centenas de mulheres de todos os estratos sociais que trabalhavam lá a empacotar material bélico, medicamentos, comida e roupa para os soldados na frente de combate. Vestia-se sempre de forma simples de azul ou cinzento, estava sempre lá de boa-vontade, tinha sempre um sorriso nos lábios ou um elogio para quem trabalhava, nunca perdia a paciência mesmo quando se cometiam erros e estava sempre pronta para executar os trabalhos mais difíceis.


Morte do marido
No dia 4 de fevereiro de 1905 quando Isabel estava a caminho dos seus quartos privados no palácio onde vivia com o marido e os sobrinhos, ouviu uma explosão que partiu todos os vidros da sua casa. Depois de muitos anos ela sabia que aquilo que temia (e o seu marido esperava) tinha acontecido. Durante muitos anos Sergei tinha-a proibido de andar na mesma carruagem dele e justificava-o dizendo que sabia do ódio que os habitantes de Moscou sentiam por ele.

Sem esperar por alguém para perguntar o que tinha acontecido ou sequer vestir um casaco, Isabel desceu as escadas a correr até chegar ao dia frio de inverno e seguiu um rasto de fumo e cheiro a pólvora que a levaram até à carruagem despedaçada do seu marido da qual apenas restavam os corpos mutilados dos cavalos. Quando chegou os guardas apressavam-se a cobrir o que restava do corpo do marido com os seus casacos.

Começaram a cair-lhe lágrimas e ela ajoelhou-se junto da mancha de sangue na neve, com a multidão a começar a reunir-se à sua volta, olhando horrorizada o macabro espectáculo enquanto a polícia e os soldados procuravam o assassino por entre as pessoas que se encontravam perto do palácio. Algumas horas antes ele tinha saído de casa com uma expressão preocupada, mas a assegurar-lhe que não havia nada com que se preocupar. Embora não tivessem um casamento perfeito, ele era o seu marido que sempre a tinha ajudado a adaptar-se à vida na Rússia e a tratava bem. Ele estava consciente do perigo que corria, mas mesmo assim nunca abandonou as suas responsabilidades e deu o seu melhor no cargo que ocupava. Contudo a sua austeridade quase fanática e a sua crueldade vingativa em certas ocasiões tinham feito com que ganhasse muitos inimigos. Ele era um anti-revolucionário e um autocrata quase tirano, mas ela estava casada com ele há vinte anos e era das únicas que conhecia toda a sua personalidade.

A partir desse dia, Isabel nunca mais comeu carne nem peixe. Quando chegou a casa dividiu as jóias que o seu marido lhe tinha oferecido em três e deu algumas aos seus sobrinhos Maria e Dmitri Pavlovich, devolveu as jóias da coroa e vendeu o resto. O dinheiro que ganhou das jóias foi para a caridade e para o Convento de Maria e Marta em Moscou que passou a visitar com muita frequência, sempre de luto.


Freira

A alta sociedade de São Petersburgo nunca mais a voltou a ver. Só muito raramente Isabel visitava a irmã e a família em Czarskoe Selo e, em 1910, decidiu juntar-se definitivamente à Irmandade de Marta e Maria, doando todas as roupas e pedaços de joalharia que ainda lhe restavam. Não ficou nada, nem sequer com a aliança de casamento. “Este véu,” disse o Bispo Triphonius quando ela entrou no Convento, “vai-te esconder do mundo, e o mundo vai estar escondido de ti, mas vai ser uma testemunha dos teus bons trabalhos que irão brilhar perante Deus e glorificar o Senhor.” A sua nova vida era passada nos quartos pequenos do Convento, apenas mobilados com cadeiras brancas. Ela dormia numa cama de madeira sem colchão e com uma almofada dura. Queria sempre as tarefas mais difíceis, chegando a cuidar de 15 doentes na ala hospitalar sozinha e raramente dormia mais de três horas. Quando um paciente morria, ela passava a noite inteira junto dele (de acordo com a fé Ortodoxa) a rezar intermitentemente sobre o corpo morto.

Quando ela se tornou freira, a sua sobrinha Maria Pavlovna casou-se, e o sobrinho Dmitri passou a viver com o Czar e a sua família.

Apesar de tudo, ela nunca se tornou rígida, severa ou deprimida e até manteve algum do seu divertimento que a tinha tornado encantadora quando jovem. Uma vez quando a sua irmã, a Princesa Vitória, estava no convento de visita com a sua segunda filha, a Princesa Louise, a porta do quarto delas abriu-se de manhã cedo e uma pequena cabeça espreitou a rir-se e a dizer “Olá”. Abismada, Vitória pensou tratar-se de um rapaz mal-educado que tinha conseguido entrar no convento e estava a invadir o seu quarto, mas depressa percebeu aliviada que se tratava da sua irmã mais nova, sem o seu véu e com o cabelo curto.

Depois de entrar no convento, Isabel apenas visitou São Petersburgo em duas ocasiões: quando se celebraram os 300 anos de poder dos Romanov em 1913 e quando rebentou a Primeira Guerra Mundial em 1914 onde ajudou a sua irmã com os planos de ajuda a soldados feridos. Durante muitos anos, as instituições apoiadas por Isabel ajudaram os pobres e os órfãos de Moscou. Ela e outras freiras da sua irmandade trabalhavam com os pobres todos os dias e foram responsáveis pela abertura de discussão sobre a possibilidade de permitir o acesso de mulheres a posições de maior importância dentro da igreja. A Igreja Ortodoxa recusou esta ideia, mas abençoou e encorajou os esforços de Isabel para com os pobres.

Em 1917 rebentou a revolução e, as ligações de Isabel à família imperial causaram-lhe muitos problemas.


Prisão e Morte

Na Primavera de 1918, Lenin ordenou à Cheka que prendesse Isabel. Mais tarde ela seria exilada, primeiro em Perm e depois em Ekaterinburgo onde também se encontrava a sua irmã Alexandra e a sua família, mas nenhuma das duas sabia da presença da outra na cidade. Mais tarde ela iria juntar-se a outros membros da família Romanov como o Grão-Duque Sergei Mikhailovich, o Príncipe João Constantinovich, o Grão-Duque Constantino Constantinovich, o Grão-Duque Igor Constantinovich e Vladimir Pavlovich Paley. Com os membros da família vieram o secretário de Sergei, Feodor Remez e Varvara Yakovlena, uma freira da irmandade de Isabel. Todos eles foram levados para Alapaevsk no dia 20 de maio de 1918 onde foram presos na antiga Escola Napolnaya nos arredores da cidade. «ao lado Isabel(direita) com a irmã Alexandra e o cunhado czar Nicolau II»

Ao meio-dia do dia 17 de julho, o Oficial da Checa, Petr Startsev e alguns trabalhadores bolcheviques chegaram à escola. Tiraram aos prisioneiros todo o dinheiro e valores que tinham e anunciaram-lhes que seriam transferidos nessa mesma noite para uma fábrica em Siniachikhensky. Os guardas do Exército Vermelho receberam ordens para abandonar o local e foram substituídos por homens da Checa. Nessa noite os prisioneiros foram acordados e levados em carros numa estrada para Siniachikha. A cerca de 18 km de Alapaevsk havia uma mina abandonada com 20 metros de profundidade. Foi aqui que pararam. Os homens da Checa espancaram todos os prisioneiros antes de os atirar para a mina. Ainda antes de ser atirado, o Grão-Duque Sergei Mikhailovich foi morto a tiro por contestar e tentar espancar os guardas. Isabel foi a primeira a ser atirada. Apesar da profundidade apenas Feodor Remez morreu imediatamente.

De acordo com o testemunho de um dos assassinos, Isabel e os outros prisioneiros sobreviveram à queda na mina, o que levou o comandante a atirar as granadas. Depois das explosões, ele disse ter ouvido Isabel e os outros cantarem um hino russo do fundo da mina. Enervado, o comandante atirou uma nova rajada de granadas, mas continuou a ouvir-se os prisioneiros cantar. Finalmente foi atirada uma grande quantidade de arbustos para tapar a mina e o comandante deixou um guarda a vigiar o local antes de partir.

Na manhã de 18 de julho de 1918, o chefe da Checa de Alapaevsk trocou uma série de telegramas com o chefe do Soviete Regional de Ekaterinburgo que tinha estado envolvido no massacre da família imperial. Estes telegramas tinham sido planeados com antecedência e diziam que a escola tinha sido atacada por um “gang desconhecido”. Pouco tempo depois Alapaevsk caiu nas mãos do Exército Branco.

No dia 8 de outubro de 1918, os Brancos descobriram os restos mortais de Isabel e dos seus companheiros dentro da mina onde tinham sido assassinados. Isabel tinha morrido devido a ferimentos resultantes da sua queda de 20 m, mas tinha ainda encontrado forças para fazer uma ligadura na cabeça do Príncipe Ioann. Os seus restos mortais foram retirados da mina e levados para Jerusalém onde estariam longe das mãos dos bolcheviques. Até hoje continuam enterrados na Igreja de Maria Madalena.

Isabel foi canonizada pela Igreja Ortodoxa Fora da Rússia em 1981 e pela Igreja Ortodoxa Russa em 1992 como Nova Mártir Isabel. Os principais templos que lhe são dedicados são o Convento de Marfo-Mariinsky que ela fundou em Moscou e o Convento de Santa Maria Madalena no Monte das Oliveiras, que ela e o marido ajudaram a construir. Era é uma das mártires do século XX que está representada numa das estátuas acima da Grande Porta Oeste na Abadia de Westminster em Londres, Inglaterra.

Outra estátua de Isabel foi construída após a queda do Comunismo no jardim do seu convento em Moscou. Na inscrição pode ler-se “À Grã-Duquesa Isabel Feodorovna: Com arrependimento.”

Isabel Feodorovna foi assassinada por bolcheviques no dia 17 de julho de 1918 quando tinha 54 anos.

Fonte: romanov.blogs.sapo.pt